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Governança fiscal

por que ela se tornou prioridade para empresas em 2026

A governança fiscal deixou de ser uma preocupação secundária dos departamentos de tributos para se tornar um dos pilares estratégicos mais discutidos nas salas de diretoria brasileiras em 2026. A combinação de uma reforma tributária histórica, pressões regulatórias globais e o avanço acelerado da tecnologia criou um cenário em que a forma como as empresas gerenciam suas obrigações fiscais passou a influenciar diretamente sua competitividade, reputação e sustentabilidade no longo prazo.

A virada de chave da reforma tributária

A aprovação da reforma tributária brasileira inaugurou um período de transição sem precedentes no país. Entre 2026 e 2032, as empresas precisarão operar simultaneamente sob dois sistemas tributários distintos — o atual e o novo, baseado na introdução do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Essa convivência paralela é a principal preocupação para quase 60% das organizações ouvidas na pesquisa Tax do Amanhã 2026, realizada pela Deloitte com 148 empresas brasileiras.

O desafio é concreto: processos fiscais que antes funcionavam de forma relativamente estável agora precisam ser revistos do zero. Precificação, margens, cadeias de fornecimento e modelos de negócio estão sendo reavaliados à luz das novas regras. Não à toa, 89% das empresas pesquisadas pela Deloitte já realizaram estudos aprofundados sobre os impactos da reforma — um dado que revela tanto a seriedade do momento quanto a urgência com que o tema chegou às pautas executivas.

De função operacional a pilar estratégico

Por muito tempo, a área fiscal foi tratada como uma engrenagem burocrática, responsável por cumprir obrigações e evitar autuações. Esse modelo está sendo descartado. Segundo o estudo Nova Ordem Tributária no Brasil, publicado pela PwC Brasil em 2026, 83% dos executivos brasileiros já consideram a área tributária relevante para a tomada de decisões de negócio. O número é expressivo e traduz uma mudança de mentalidade que vem sendo acelerada pela reforma e pelo ambiente regulatório cada vez mais exigente.

A PwC recomenda, no mesmo estudo, que as empresas integrem a tributação às suas decisões estratégicas, fortaleçam a qualidade dos dados fiscais, invistam em tecnologia e monitorem ativamente os riscos regulatórios. Em outras palavras, a governança fiscal precisa estar alinhada à estratégia corporativa — e não ser apenas uma resposta reativa ao fisco.

O peso global da transparência fiscal

O movimento não é exclusivo do Brasil. O 2026 Global Tax Policy Survey, realizado pela Deloitte com 1.010 líderes tributários e financeiros em 28 jurisdições ao redor do mundo, mostra que quase 40% dos participantes apontam o aumento das exigências de compliance, administração e reporte como o principal impacto das mudanças na política tributária. Ainda mais revelador: 84% dos entrevistados esperam um crescimento nas divulgações públicas de informações fiscais nos próximos dois a três anos.

Esse cenário coloca as empresas diante de uma nova realidade: a transparência fiscal deixou de ser opcional. Governos, investidores, agências de rating e até consumidores passaram a observar com mais atenção como as organizações gerenciam suas responsabilidades tributárias. Empresas com estruturas frágeis de governança fiscal correm o risco de sofrer não apenas sanções regulatórias, mas também danos reputacionais significativos.

Tecnologia como aliada indispensável

Se a complexidade das obrigações fiscais cresceu, a tecnologia surge como a principal resposta operacional. A pesquisa da Deloitte revela que 86% das empresas brasileiras já possuem alguma operação fiscal ou tributária automatizada — um avanço considerável, mas que ainda deixa margem para expansão e sofisticação.

A inteligência artificial, por exemplo, começa a ser incorporada em processos como classificação fiscal de produtos, análise de riscos tributários e cruzamento de dados para identificação de inconsistências. A automação reduz erros humanos, aumenta a velocidade de resposta às obrigações acessórias e libera as equipes fiscais para atuarem em atividades de maior valor estratégico, como análise de cenários e suporte às decisões de investimento.

No entanto, tecnologia sem governança é ineficiente. Para que as ferramentas digitais entregem seu potencial, é fundamental que as empresas invistam em qualidade de dados, processos bem estruturados e equipes capacitadas para interpretar e usar as informações geradas. A digitalização fiscal, portanto, não substitui a governança — ela a amplifica.

Riscos para quem não se adaptar

Empresas que tratarem a transição tributária como um problema exclusivamente operacional estarão subestimando os riscos envolvidos. A dupla vigência dos sistemas tributários exige monitoramento contínuo, atualização constante dos times e revisão periódica de estratégias. Quem não investir em estruturas robustas de governança fiscal pode enfrentar desde autuações e litígios até perdas de eficiência que comprometam a rentabilidade.

Além disso, em um ambiente onde 40% das empresas ao redor do mundo já se preocupam com compliance global, a falta de transparência pode fechar portas em mercados internacionais e dificultar o acesso a financiamentos e parcerias estratégicas. A governança fiscal, nesse contexto, tornou-se também um fator de atratividade para investidores e um diferencial competitivo real.

O momento exige preparação qualificada

A transformação em curso é profunda e irreversível. As empresas que saírem na frente serão aquelas que entenderem que a governança fiscal não é um custo administrativo, mas um investimento na longevidade e na competitividade do negócio. Isso exige líderes capacitados, processos bem desenhados, tecnologia adequada e uma cultura organizacional que valorize a conformidade e a transparência como ativos estratégicos.

Para profissionais que desejam estar à altura desse novo cenário, a formação especializada faz toda a diferença. Conheça o MBA em Planejamento Tributário e Recuperação de Créditos da BSSP, um programa desenvolvido para quem quer dominar as complexidades do ambiente fiscal brasileiro, atuar com estratégia e agregar valor real às organizações nesse momento de transição. Acesse o site da BSSP e saiba como dar esse próximo passo na sua carreira.

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  • 25 setembro 2026

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