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Como a IA está redefinindo o trabalho do consultor tributário

A IA no tributário deixou de ser uma promessa distante para se tornar uma realidade concreta nos escritórios contábeis e jurídicos ao redor do mundo. Impulsionada pela inteligência artificial generativa, essa transformação está redesenhando o perfil do consultor tributário moderno  não para substituí-lo, mas para libertá-lo das amarras do trabalho repetitivo e reposicioná-lo como um estrategista de alto valor.

O dado que muda a conversa

Três pesquisas recentes lançam luz sobre a velocidade dessa mudança. O relatório 2026 State of Tax Professionals, publicado pela Thomson Reuters, revela que 57% dos profissionais tributários apontam a inteligência artificial como a principal prioridade de investimento tecnológico para o próximo ano. Mais do que uma tendência, trata-se de uma decisão de sobrevivência competitiva: 44% das empresas já automatizaram até um quarto de seus fluxos de trabalho tributários, e 27% chegaram à metade.

O cenário é igualmente expressivo no estudo conduzido pela Blue J em parceria com a CPA.com, baseado em mais de mil profissionais nos Estados Unidos. Em apenas um ano, o uso semanal de IA para pesquisa tributária saltou de 33% para 60% — quase o dobro. Os dados indicam que a adoção não é periférica: a IA aparece aplicada em projetos de consultoria (44%), planejamento tributário (40%) e análise de documentos (36%).

Da operação à estratégia

Por décadas, o cotidiano do consultor tributário foi dominado por tarefas de natureza operacional: classificação de documentos, preenchimento de obrigações acessórias, cruzamento de dados fiscais e pesquisa de legislação. Trabalho essencial, mas que consumia tempo desproporcional em relação ao valor intelectual entregue ao cliente.

A automação tributária inverte essa equação. Ao delegar à máquina o que é mecânico e repetitivo, o profissional ganha espaço para o que realmente diferencia seu trabalho: interpretação de cenários complexos, planejamento preventivo, orientação em decisões de fusões e aquisições, reestruturações societárias e gestão de riscos fiscais. A transição não é apenas técnica — é uma reinvenção da identidade profissional.

Segundo o relatório GenAI in Professional Services 2025, elaborado pelo Thomson Reuters Institute com mais de 1.700 profissionais nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, 89% dos especialistas em firmas tributárias acreditam que a IA generativa pode ser aplicada diretamente ao seu trabalho. Os usos mais citados são pesquisa tributária (77%), preparação de declarações (63%) e consultoria (62%) sinalizando que a tecnologia já permeou as funções centrais da profissão.

O modelo de negócio também muda

Quando o tempo deixa de ser o principal insumo do trabalho, a hora técnica perde sentido como unidade de cobrança. Não por acaso, 69% dos profissionais ouvidos pela pesquisa da Blue J e CPA.com esperam mudanças nos modelos de precificação, com maior adoção de honorários fixos, contratos híbridos ou remuneração baseada em valor entregue.

Essa mudança é estrutural. O cliente que antes pagava pelo tempo dedicado à pesquisa de uma alíquota ou à conferência de um SPED agora espera pagar pelo insight que resulta dessa análise — pela decisão mais inteligente, pelo risco evitado, pelo planejamento que preservou seu patrimônio. Para o consultor, isso representa uma oportunidade de ampliar margens e aprofundar relações com os clientes.

O Conselho Federal de Contabilidade, em suas diretrizes para o futuro da profissão contábil, tem sinalizado justamente essa direção: o contador e o consultor tributário do futuro serão avaliados pela qualidade de seu julgamento, não pelo volume de tarefas executadas. Mais informações sobre o cenário profissional no Brasil podem ser acompanhadas no portal do [CFC].

Economia de tempo, ganho de relevância

Um dos achados mais práticos do levantamento da Blue J é que 84% dos profissionais já percebem economia de tempo com o uso de IA. Esse número tem implicações diretas na capacidade de atendimento: um consultor que antes dedicava três horas à pesquisa de precedentes jurisprudenciais pode hoje obtê-los em minutos — e usar o tempo liberado para entregar uma análise mais aprofundada.

No Brasil, a complexidade do sistema tributário torna esse ganho ainda mais relevante. Com mais de 90 tributos federais, estaduais e municipais, obrigações acessórias em cascata e uma reforma tributária em curso — cujas regras de transição se estenderão até 2033 —, o volume de informação a processar é simplesmente inviável sem apoio tecnológico. Acompanhar as mudanças trazidas pela Reforma Tributária, por exemplo, já está entre os principais desafios do setor, conforme informações disponíveis no portal do [Ministério da Fazenda].

O risco de ficar parado

A automação tributária não é uma ameaça para quem se adapta  mas pode ser uma armadilha para quem ignora. Escritórios que resistirem à adoção de novas ferramentas tendem a perder competitividade em prazo, custo e profundidade analítica para concorrentes que já operam com processos automatizados. A pressão virá tanto de clientes mais exigentes quanto de novos entrantes no mercado, incluindo plataformas de consultoria digital que combinam IA com supervisão humana.

A chave não está em dominar a tecnologia em seus aspectos técnicos, mas em compreender como integrá-la ao fluxo de trabalho, interpretar seus resultados com senso crítico e comunicar valor ao cliente de forma clara. Competências que nenhum algoritmo substituirá tão cedo.

O caminho para o consultor do futuro

A transformação em curso exige atualização constante — não apenas técnica, mas estratégica. Conhecer os fundamentos do planejamento tributário, dominar as nuances da legislação e desenvolver habilidades consultivas de alto nível são diferenciais que se tornam ainda mais valiosos quando combinados com o uso inteligente de ferramentas automatizadas.

Se você quer estar preparado para essa nova realidade e aprofundar sua atuação no campo mais sofisticado da tributação, conheça o MBA Tecnologia Digital Aplicada ao Tributário (TAX) da BSSP — um programa desenvolvido para profissionais que desejam unir domínio fiscal e competência tecnológica.

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  • 23 setembro 2026

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